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Dark and White - 2º Capítulo


Capítulo 2

A luz do novo dia passava levemente pelas cortinas azuis claras que cobriam a grande janela em arco de ogiva. Os raios iluminavam o quarto, percorrendo silenciosamente as estantes de livros e os armários, chegando à cama.
Repousou no rosto clássico da rapariga que descansava, acariciando-lhe a face suavemente, tentando acordá-la. Shara foi lentamente abrindo os olhos, sentindo o toque leve da luz que a acariciava.
Olhou para a frente e viu a secretária de madeira escura, encurralada pelas estantes claras. Em cima estava as prateleiras ocupadas com alguns livros de capas em tons de vermelho, preto, verde, azul e marfim, dando um tom mais alegre às memsas.
Ficou a olhá-las sem se mexer, deitada de lado na cama, coberta com uma colcha alaranjada, decorada com pequenos lírios brancos.
A mente dela ainda estava num estado de completa confusão. Palavras, explicações e memórias confusas daquilo que se tinha passado no dia anterior, percorriam-lhe com um filme em câmara lenta. Via e revia, recordava e tentava compreender tudo o que se tinha passado.
- Estou num mundo de malucos, só pode – dizia para si mesma. “Não estás no mundo certo!”, dizia-lhe a voz da sua mente.
- Eu sei. Mas não quero – respondeu para o ar. A verdade era que, agora eu pensava nisso, sentia que realmente pertencia ali. Sentia uma sensação de alivio, paz, conforto, como se tivesse regressado a casa. Nunca se sentira assim. Sempre se sentira um pouco à parte, mas ali não. Por mais que dissesse o contrário, ou se recusasse a admitir. Ali, era o lugar dela.
Fez um grande esforço para se sentar, enquanto o seu corpo reclamava para que ela se mantivesse deitada. Mas não podia. Tinha de se levantar e tentar encaixar-se naquele mundo, no qual agora pertencia. Um mundo paralelo à terra, onde os humanos não podiam coabitar, onde apenas os seres com capacidades mágicas existião.
Percorreu o quarto até à casa de banho que ficava do lado oposto da porta de entrada, observando-a. Era pequena em comparação com o grande quarto. Equipado com um chuveiro branco, tapado com cortinas em tons de azul, fazendo lembrar o mar, colocado ao lado de uma pequena sanita branca. À sua frente estava um lavatório suspenso em cima de um móvel branco, com portas de rebordo creme, tal como as suas maçanetas redondas.
Em cima deste havia um grande espelho rectangular, preenchido com um rebordo dourado, onde estavam encrostadas pequenas flores, borboletas e outros animais, que pareciam ganhar vida à medida que os observava.
Olhou-se ao espelho, que lhe mostrou um rosto claro, clássico, com olhos cor de amêndoa e ondulados cabelos loiros mal entrançados numa trança.
Desfez a sua trança mal feita, devido a ter estado a dormir e voltou a amarrá-la com um elástico preto.
Foi nesse momento que bateram à porta. Shara ficou a olhá-la durante um instante, perguntando-se se devia abrir ou nem por isso. Se deixava a pessoa que a queria incomodar, à espera, ou não. Contudo achou que seria uma enorme indelicadeza, mesmo que no momento não se preocupasse minimamente com isso, e resolveu abri-la.
Quando a abriu, viu o rosto sorridente e amável de Erik.
- Bom dia – disse com um enorme sorriso.
- Bom dia – retribuiu-lhe Shara, juntamente com o sorriso.
- Como te sentes hoje? Melhor, espero!
- Sim, sinto-me um bocadinho melhor, obrigada.
- Anda, está quase na hora do pequeno-almoço – disse começando a descer as escadas.
- Olha… Erik… Desculpa ter-te dado trabalho ontem e…lamento se te molhei o ombro com as lágrimas – disse olhando para o chão.
Erik voltou a subir os cinco degraus que havia descido e, pousou-lhe uma mão na cabeça, dando-lhe pequenas festas enquanto dizia:
- Não te preocupes com isso. Não me deste qualquer trabalho. E… Se precisares de um ombro para chorar, ou até mesmo para desabafar. Eu estou a uma porta de distância.
- Obrigada – agradeceu com um enorme sorriso.
Desceram as escadas de pedra em caracol, até chegarem à zona de convívio, onde todos falavam, riam e viam televisão divertidos.
Shara olhou fascinada para todos aqueles seres. Elfos, fadas, sereias, lobos, raposas, ninfas, entre muitos outros, que simbolizavam o bem, segundo os livros que lera. Todos se davam lindamente uns com os outros, transmitindo uma aura de alegria, paz, conforto e bondade que preenchia a grande sala de convívio.
- Erik! Erik! Erik – chamava um miúdo, aproximando-se enquanto saltitava. – É ela não é, diz que sim. Diz que sim – disse quando chegou perto de Erik.
Era um miúdo pequeno, com cerca de 7 ou 8 anos. Vestia uma blusa branca, bordadas com traços pretos nas mangas, e uns calções azuis, que condiziam com os seus ténis, da mesma cor. Possuía uns grandes olhos azuis e cabelo branco, que se opunha ao seu ar infantil. Tal como Erik, este possuía orelhas, sendo no entanto de raposa branca com manchas azuis nas pontas, que condiziam com as suas duas caudas, dos mesmos tons.
- Sim é ela. Mas vai com calma! Isto tudo ainda é muito novo para ela e… – dizia Erik, tentando fazer o rapazito parar de dar saltinhos.
Contudo este não pareceu dar-lhe qualquer atenção. Passou-lhe ao lado, colocando-se à frente de Shara.
- Olá eu sou o Jack. E estou muito feliz por teres chegado. Queres ser minha amiga? – perguntou alegremente, enquanto as suas caudas mexiam de um lado para o outro, como se estivessem a abanar.
Que fofinho” – pensou a rapariga.
- Eh… Claro - disse, baixando-se para ficar ao nível dos olhos de Jack.
- Yupy! Que bom que queres ser minha amiga. Que bom. Que bom. Que bom - Jack dava pulinhos de alegria como, se alguém houvesse contado uma novidade maravilhosa.
- O Jack viu a tua fotografia, quando me foi entregue o comunicado de que irias chegar… E… Tu és bastante parecida com a sua mãe – esclareceu Erik, respondendo à admiração presente no rosto de Shara, ao ver Jack ficar tão contente.
Ela lembrou-se do que Erik lhe tinha dito na noite anterior. De que no momento em que se vem para aquele mundo, toda a sua existência era apagada do outro. Para onde se não pode regressar, a não ser que se abdique dos poderes. O que por sua vez, também era algo extremamente difícil de se fazer.
Shara compreendia agora, a razão pela qual Jack havia ficado tão contente com a sua chegada. Uma criança com aquela idade devia estar junto de sua mãe, e não separado dela.
Colocou os braços em volta dos ombros do pequeno, abraçando-o.
- Obrigada pelas boas-vindas Jack.
Quando o largou, o pequeno estava um pouco corado, mas bastante alegre.
- Shara sabes o que eu sou? Sabes, sabes? – perguntou-lhe apontando para si mesmo.
Ela olhou para as suas orelhas, caudas e cabelo branco, e pensou em todas as criaturas de que lera que pudessem ser parecidos com ele.
- Acho que és uma raposa das neves de duas caudas. Mas acima disso acho que és um transmorfo.
Por momentos ele ficou admirado coma resposta acertada, e para dizer a verdade ela também. - Acertas-te! Acertas-te – dizia feliz.
- Estou a ver que apesar de ainda seres nova, tens algum conhecimento sobre nós – disse um elfo que se tinha juntado ao grupo, juntamente com uma fada, uma sereia e um rapazito, aparentemente normal.
- É que… eu gosto muito de livros de fantasia, e por isso estava sempre a lê-los, descobrindo novas espécies.
- Isso é espectacular – disse a fada.
- Shara estes são o Michel, a Flora, a Aquarinda e o Hiro – apresentou Erik apontando para o elfo, a fada, a sereia e o outro rapaz normal. Contudo algo na sua mente dizia que ele era um nove caudas, mesmo sem se parecer com os que ela havia lido.
- Muito prazer – disse Shara amavelmente
- O prazer é todo nosso. E espero que gostes de cá estar – cumprimentou Hiro, retirando o capuz da blusa, revelando duas orelhas de raposa, amarelas.
- Sim. Sê muito bem-vinda – disseram Flora e Aquarinda de uma forma altamente sincronizada.
Flora era uma fada muito simpática. Pequena, de olhos rosados e cabelo ruivo, em que uma pequena parte estava presa com dois totós verdes, prendendo-o de cada lado da cabeça. Usava um vestido verde, que se apertava com uma fita no pescoço, deixando os ombros livres e soltos. As luvas também eram verdes, vindo desde o pulso até um pouco abaixo dos ombros. Calçava umas sapatilhas castanhas, entrelaçadas pela perna acima, até à zona dos joelhos, dando-lhe um ar tipicamente de uma fada da natureza.
Aquarinda também era fácil de ser reconhecida como uma sereia, mesmo estando sem barbatanas. Possuía uns olhos rosados e cabelo num tom ruivo mais claro que Flora, donde saiam duas pequenas barbatanas em tons de rosa, ocupando-lhe a zona das orelhas. Trajava num vestido azul oceano de alças, com umas luvas largas, meio folheadas nos pulsos, que iam até os ombros. Calçando umas sapatilhas pequenas, no mesmo tom do vestido.
Ambas olhavam-na de alto a baixo, observando as roupas que usava.
- Acho que temos de mudar um pouco o teu visual – disse Flora
- Pois, estás muito à… à… à Terrena – concordava Aquarinda.
Pegaram nos pulsos de Shara e arrastaram-na para a torre das raparigas em direcção ao seu quarto em conjunto.
Depois de entrarem e de terem pedido que Shara se sentasse numa das camas, começaram a remexer no seu grande guarda-roupa corrido, à procura de algo.
Foi uma sensação estranha. Mal acabara de chegar e de conhecê-las e elas já a tratavam como se fossem grandes e velhas amigas. Não sabia muito bem como reagir àquilo. Não tinha muitos amigos e mesmo estes não a tratavam daquela maneira tão, amável.
O quarto delas era mais ou menos do tamanho do seu, com a diferença de que tirando a casa de banho, tudo neste era a dobrar. Possuía um mobiliário e cortinas em tons de azul marinho e verde relva.
Depois Flora e Aquarinda terem conseguido retirar todos os trapos e mais alguns do armário, que parecia demasiado pequeno para guardar tudo aquilo, apresentaram-lhe vários modelos de roupa, que achavam combinar bem com ela.
Após alguns desacordos, principalmente por parte de Shara, optaram pelo último modelo apresentado. Era constituído por uma blusa de alças em tons de roxo claro, folhada na parte de baixo e aberta na parte da frente a partir do umbigo, formando um “V” invertido que se prolongava até um pouco abaixo da cintura. Combinando com uns calções num tom de um roxo mais escuro e uma botas, que iam até aos joelhos, da mesma tonalidade que a blusa.
Depois de se vestir, Aquarinda soltou-lhe a trança e penteou os cabelos, ate ates ficarem sem mais marcas da trança. Entrançou algumas madeixas que ficavam atrás das orelhas, e prendeu-as com um laço roxo.
Shara olhou-se ao espelho e, viu uma rapariga magra e de feições clássicas, de cabelos loiros semi-apanhados, que lhe davam pelo meio das costas. Vestida com um traje que só se viam nos livros de fantasia.
- Oh, estás tão querida – disseram Flora e Aquarinda ao mesmo tempo.
- Obrigada – agradeceu, corando um bocadinho.
Voltaram a descer a escadas encontrando os rapazes sentados a ver televisão, na grande sala de convívio que entretanto havia ficado vazia.
- Shara estás tão bonita – disse Jack, sendo o primeiro a reparar na chegada delas.
Todos se levantaram e tanto Michel como Hiro, acharam que aquele tipo de roupa lhe ficava bem. No inicio Erik não dissera nada. Ficou parado a olhá-la, enquanto Hiro dava pequenas risadas, divertido com algo que só ele sabia.
- Estás realmente bonita. Esse tipo de roupa fica-te mesmo bem – consegui Erik finalmente dizer, aproximando-se de Shara, deitando olhares zangados a Hiro que continuava a rir.
- Nós queríamos colocar-lhe uma saia um pouco mais pequena que os calções, mas… – começou Aquarinda.
- Mas ela disse que não usava aquele cinto! – acrescentou Flora.
Todos na sala se riram com as caretas das duas raparigas e pela primeira vez, Shara sentiu-se realmente feliz por estar ali.

O refeitório era uma sala enorme, percorrida com duas fileiras de mesas e bancos de madeira, que se estendiam a todo o seu comprimento. Havendo de cada lado, encostadas à parede uma mesa comprida, estando a da esquerda decorada com vários tipos de comida, de pequeno-almoço, para que cada um pudesse escolher o que mais lhe agradava.
Havia pães, croissant, bolos, fruta, entre outros alimentos que a preenchiam, dando um ar colorido à grande mesa de madeira coberta com um pano beje.
Ocuparam os lugares ao fundo da mesa à esquerda, a única ocupada, ao passo que a outra permanecia completamente vazia.
- Para que é a outra mesa? – perguntou Shara, olhando-a completamente vazia.
- É para as criaturas da noite – respondeu Aquarinda, colocando o prato que fora buscar, cheio de tiras de frutas de água, como a melancia, o melão e a meloa.
- Mas eles também comem connosco? – perguntou com um tom de medo na voz, enquanto recordava o comportamento destes na noite em que chegara.
- Infelizmente eles almoçam connosco. Afinal de contas esta é uma escola que engloba os seres da luz e da escuridão, com o propósito de demonstrarmos às outras de que nos podemos dar bem. Apesar de não ser bem assim – disse Michel. Era um elfo alto, moreno, de longos cabelos castanhos-escuros, tal como os olhos. Trajava uma t-shirt e calças pretas, presas com umas botas da mesma cor que o cabelo. Usava um casaco comprido, de mangas abertas a partir dos cotovelos, preso no peito com duas fivelas castanhas que se cruzavam, fazendo um X.
- Mas não te preocupes, porque aqui o Erik, não vai deixar que eles te façam algum mal! – disse Hiro, mostrando um grande sorriso, implicando com o amigo.
Este levantou as orelhas, como se estivesse zangado, mandando olhares semi-serrados a Hiro, que estava à sua frente.
Hiro era um rapaz alto, de olhos pretos e cabelo branco, donde provinham duas orelhas de raposa amarelas. Vestia-se de um forma muito normal, usando uma blusa branca coberta com um casaco de ganga com capuz, mais claro que as calças de ganga de bainha virada par cima.
- Shara queres ir buscar a comida? – perguntava Jack, puxando-a pelo braço, directo à mesa de alimentos.
- O que queres comer? – perguntou Shara, buscando dois pratos da mesa.
- Aquilo que tu comeres. Pode Ser?
Shara viu-o a dar um grande sorriso e virou-se para a mesa, passando os olhos pelas sandes mistas, os croissants de chocolate, até que viu as panquecas. Gostava tanto dessas, mas isso deixou-a um pouco triste, pois faziam-na recordar os pais. “Vá não podes desanimar agora. Hei-de encontrar uma solução para isso depois” Pensou para si mesma.
- O que te parece de panquecas?
- Sim. Sim. Sim. E… Pode ser com creme de chocolate por cima? – perguntava Jack, colocando as mãos nas bochechas rosadas.
Colocou duas grandes fatias de panquecas, recheadas com molho de chocolate em cada prato, encaminhando-se de seguida para a mesa.
Erik seguia-os mais atrás, levando um prato com uma sandes de atum e, sentou-se ao lado de Shara. Esta riu-se ao ver a sandes e, olhou para as orelhas do amigo.
- O que foi? – questionou ao vê-la olhar para si.
- É que… é tão fofo. Tu és tal e qual um gato – disse apontando para a sandes.
Erik riu-se, encolhendo as orelhas para trás, como se tivesse ficado envergonhado.

- Então o que achas do castelo? – perguntou Hiro após terem terminado a refeição.
- Acho que deve ser giro – respondeu Shara, olhando em volta.
- Achas? Deve?
- Sim… é que eu ainda não o vi. Por isso só posso achar.
- Ainda não? – disseram Aquarinda e Flora em coro, incrédulas com aquilo.
- Erik, que raio de delegado és tu? Como é que ainda não mostraste o castelo à rapariga – reclamou Flora
- Ela já chegou de noite e, era melhor descansar do que ver o castelo, não acham? – retorquiu Erik muito calmamente.
- Claro que não! O castelo era muito mais importante! – dizia Aquarinda arrumando os pratos nos tabuleiros de louça suja, posicionados ao lado da mesa de comida.
- Mas já era tarde e… - começou Erik a dizer.
- Tretas! Desculpas! Mas deixa estar desta vez perdoamos-te – disse flora com um sorriso perigoso – Porque assim somos nós que fazemos a visita guiada, certo Aqua?! – terminou deitando a língua de fora a Erik.
Este amuou um pouco, colocando as orelhas para baixo, fazendo com que todos se rissem.
As raparigas encaminharam-na para a entrada do portão da escola, começando assim do princípio, segundo estas.
Era um portão enorme, de ferro, que situava entre dois pilares do muro que emoldurava a escola. No topo de cada pilar haviam duas asas, estando uma virada para baixo e a outra para cima, com o símbolo do sol e da lua no meio.
Percorreram o grande pátio, que envolvia a escola, feito de pedra e com alguns campos de relva. Podendo ver alguns bancos de jardim feitos em marfim, distribuídos pelo pátio do lado direito da escola. Mostrava um local de convívio e descontracção ao ar livre, do qual cada um podia desfrutar.
O pátio do lado esquerdo da escola estava dividido em duas partes. Uma parte estava decorada com um campo de futebol, um de basquete e um de ténis, situados à frente do pavilhão de desporto.
Shara reparou nas sete casas, que lhe faziam lembrar estufas de vidro, que decoravam a outra parte do pátio. Cada uma possuía uma cor, bem como um símbolo redondo no topo, diferentes uns dos outros.
- Aquelas são as casas dos elementos. Onde cada aluno aprende a controlar os seus poderes, com o professor respectivo - Explicou Michel.
- Isso quer dizer que cada um possui um poder elementar?
- Exactamente. E cada um aprende a controlar o seu, na sua respectiva casa. A casa verde pertence à terra e tem o símbolo de uma árvore. A vermelha ao fogo, com o símbolo de uma chama. A azul à água, com símbolo de uma onda. A cinzenta, pertence ao ar, tendo como símbolo uma pena. O branco pertence ao gelo, com símbolo de cristal. E o prateado pertence ao metal, possuindo o símbolo de um martelo – dizia Erik apontando para cada casa enquanto explicava.
- E a casa branca e preta? – questionou Shara observando a que ficava no centro, envolta pelas casas que através de linhas desenhadas no solo, formavam dois triângulos sobrepostos. Estando uma das pontas voltada para baixo e outra para cima, formando assim a Estrela de Davi.
- Esse pertence à luz e à escuridão. Mas como não há alunos com capacidades sobre esses elementos, não é utilizada – respondeu Hiro com o seu habitual ar sério e brincalhão ao mesmo tempo.
- A qual é que vocês pertencem?
- Eu e a Flora pertencemos à terra, o Hiro ao fogo, a Aqua à água, o Michel ao metal e… - explicava Erik antes de Jack o interromper.
- E aquela. A do gelo, é minha – dizia feliz, apontando para a casa do seu elemento.
Shara aproximou-se da casa do gelo, encaminhada por Jack que a agarrava pela mão, puxando-a enquanto saltava de pedra em pedra divertido.
Jack colocou uma mão na porta, que lentamente se foi abrindo, soprando o ar gelado, que estava escondido no seu interior.
Com um arrepio, Shara entrou olhando espantada para o interior, decorado com pequenos e grandes cristais de gelo, distribuídos pelo piso escorregadio e gelado.
O pátio de dentro estava decorado com um branco brilhante, donde por vezes saiam torres e enormes cristais de gelo, que reflectiam a luz que vinha do exterior. Shara olhava espantada por todo aquele cenário gelado. Nada do que via no seu interior era o que se apresentava do lado de fora. Tudo era muito mais belo e reluzente.
- Olha Shara – disse Jack levantando uma mão aberta para o chão, fazendo aparecer um pequeno cristal de gelo, em forma de uma raposa perfeitamente esculpida. – Isto é para ti – disse-lhe entregando o pequeno cristal.
- Muito obrigada é muito bonito – agradeceu, demonstrando um sorriso terno.
Era um cristal pequeno, que ocupava a palma da sua mão. Tinha a forma de uma raposa bebé que repousava, encolhida e com o focinho tapado pela sua cauda. “Que giro. O que acontecia se fosse viva?”. O pensamento surgiu e desapareceu tão de pressa que ela mal se aperceber de sequer ter pensado nisso.
Por um , a rapariga jurou ter visto o crista mexer-se. Levantar a cabeça e olhá-la, voltando a deitar-se na mesma posição. Ninguém havia reparado naquilo, e por isso Shara achara que era Jack que o havia feito com o seu poder.
- Um dia desses, ensinas-me? – perguntou virando-se para Jack.
- Claro que sim! Se o teu poder o permitir.
Se eu tiver algum poder”, pensava Shara ao saírem da casa de gelo.
- Claro que tens poderes! Todos nós temos - disse Hiro.
pois, pois. Mas eu acho que não”.
- E eu acho que sim!
Shara ficou parada a olhar para ele, com uma expressão de dúvida. “Diz-me que não leste os meus pensamentos?
- Li! Como sabias que eu lia pensamentos?
- Tendo em conta as tuas respostas. Além disso, nesta altura já espero de tudo.
- Pois, realmente devias esperar…
- Mas vocês têm mais poderes para além dos poderes elementares?
-Sim! Cada um possui um poder elementar e um poder secundário.
- Bestial. Isso quer dizer que para além de ter de procurar um poder, que nem sei se tenho, agora tenho de procurar dois – dizia um pouco desanimada.
- Não fiques desanimada. Os teus poderes aparecerão quando acharem que está na altura certa – disse Erik tentando anima-la.
- Então malta. Vamos lá! Ainda temos o interior da escola para lhe mostrar – dizia Flora, quase gritando com a sua voz fina, enquanto chamava pelos outros que se encontravam mais atrás.
A porta de entrada era grande e em ogiva, tal como todas as janelas da escola. Era de madeira com alguns relevos pretos, que lhe davam um ar antigo e pesado, comparado com o grande castelo branco de telhado cinzento.
A entrada estendia-se por um grande hall, recheado de quadros coloridos e pequenas gárgulas, dando-lhe um ar de união, entre a beleza do colorido e as sombras. Estendia-se até aos corredores de acesso aos pátios laterais, passando pela grande sala, que ocupava o centro, onde todas as criaturas podiam conviver, acessível ao corredor dos dormitórios. No andar de cima, situava-se a cantina, as salas dos professores, a dos directores, e as duas salas de aulas, colocadas em cantos opostos do castelo. A sala dos alunos do dia ficava do lado esquerdo, sendo uma sala grande, percorrida com diversas filas de secretárias, de madeira escura, compridas. Ficando umas acima das outras, tendo um degrau da escada em pedra branca a separá-las.
Algumas das grandes janelas em ogiva, estavam decoradas com vitrais de sereias, fadas, anjos, entre outras criaturas da luz, bem como paisagens mágicas e cascatas maravilhosas. Preenchendo a sala de luz, e de cores transmitidos pelos vidrais coloridos.
- A partir de amanhã já podes começar a ter aulas aqui connosco – disse a professora Angelique, que acabara de entrar na sua sala de aula, vendo a admiração de Shara.
- Mal posso esperar. Esta sala é maravilhosa – dizia Shara entusiasmada, olhando para a grande sala de aula.
- Ainda bem que gostas – disse com um sorriso amável. – Está aqui a tua lista de aulas, e penso que os livros já deveram estar no teu quarto, para se quiseres dar uma vista de olhos antes de começares as lições.
- Claro que quero, irei pegar neles assim que chegar ao quarto – disse olhando para o papel que a professora lhe entregara. Lendo que começava as aulas às 11h da manhã, tendo as aulas a duração de uma hora, com intervalos de 15minuto pelo meio de cada uma, e uma hora para o almoço. Observou que começava o dia com artes, passando para a história, magia espiritual, os poderes secundários, almoço, poderes elementares, acabando com as aulas de desporto às 18h.
- Temos oito horas de aulas por dia? – questionou Shara abismada.
- Sim… quer dizer tecnicamente são só seis horas, pois as outras duas horas e meia, são de intervalo, almoço e descanso. Talvez seja um pouco mais do que estejas habituada, e…
- Não, não. Acho que é bastante pouco. Costumo ter cerca de dez horas por dia, por isso é que fiquei admirada. Mas tem a certeza de que não falta nenhuma aula? Alguma hora? – Hiro ria com o ar abismado da rapariga. Nem mesmo as cotoveladas de Erik ou as reclamações de Flora o faziam parar.
- Não está tudo marcado. Não falta absolutamente nada – a professora Angelique ria-se do ar espantado de Shara para com o horário. – E como te estás a dar com isto tudo? Melhor espero.
Porque será que todos perguntam o mesmo” questionava Shara mandando um olhar de “por favor não comentes isto muito alto” a Hiro que lhe retribuiu um de compreensão.
- Sim. Eles têm sido impecáveis comigo – disse indicando os amigos.
- Pois claro, arranjas-te uns bons amigos, para te guiarem – disse a professora. Fez uma pequena saudação e saio da sala.

- Agora só nos falta o exterior - dizia Aqua animada enquanto todos se dirigiam para o portão de entrada.
- Mas já o vimos – dizia Shara confusa.
- Ela está a falar do exterior da muralha. Da cidade da luz e sombra, da terra, e todas as outras que se situam nos reinos dos elementos – explicava Flora, como se estivesse a pensar o mesmo que a colega de quarto.
- Este mundo está assente num pentagrama hexagonal, sendo cada ponta constituída por cidades, de acordo com o elemento que o ocupam. Neste momento estamos no centro, no reino da luz e escuridão, que se liga a todos os outros reinos, ao do ar, terra, fogo, água, gelo e ao de metal.
- E como somos nós que te estamos a fazer a visita guiada, vamos começar pelos reinos da terra e da água. Porque lá é onde se encontram as melhores peças de roupa e sapatos – disse Flora.
- Sim, porque temos de te arranjar mais peças de roupa, para poderes combinar. Mas só com a nossa orientação! – exclamou Aqua, pensando nos conjuntos que podiam comprar.
- Mais roupa? Ainda hoje de manhã fiz um desfile de trapos, porque vocês me obrigaram. E já querem meter-me noutro? Não por favor, hoje não – pedia Shara, torcendo para que mudassem de ideias.
- Não pode ser, prometemos-te que fazíamos a visita guiada de tudo. E não há nada melhor para acabar uma visita com umas boas compras nas lojas de roupa.
Shara pôs uma cara amuada e cansada. Compras era algo de que detestava, e sendo o tópico roupa, deixava-a ainda pior. Erik observou-a a ficar desanimada outra vez, e por isso tentou fazer as raparigas mudarem de ideias.
- Meninas, vá lá, o vosso objectivo principal não era ela divertir-se? Mas não é isso que irá acontecer se a arrastarem novamente para ao pé de trapos.
As duas olharam para o ar desanimado de Shara e reflectiram um pouco.
- Desculpa Shara, não queríamos que ficasses desanimada por nossa causa. Há alguma maneira de voltarmos a animar-te?
Shara levantou a cabeça, observando o ar de quem estava arrependido na cara das duas. “O que é que eu vou fazer com estas duas. Boa Shara acabaste de fazer amigas e já as conseguiste deixar tristes
- Vocês podiam fazer as compras por mim – pediu colocando uma carinha de anjo.
- Claro que sim. Não te preocupes que nós tratamos de tudo.
- Nós os três também temos de ir à cidade comprar mais uns livros, porque aqui o Michel já devorou todos os que tínhamos – disse Hiro.
- Porque é que eu também tenho de ir? – Jack agarrou o braço de Shara, mostrando que queria ficar com ela.
Michel suspirou, olhou pelo canto do olho para o companheiro de quarto que rapidamente lhe leu os pensamentos.
- Não disseste que querias aquela grande barra de chocolate?
- Quero! Shara eu trago uma também para ti! – Largou-a e saiu pelo portão com os outros, deixando apenas Shara e Erik para trás.
Shara suspirou de cansaço enquanto se sentava no chão, precisamente ao lado de um dos bancos. Desde pequena que gostava mais de se sentar no chão do que nas cadeiras, bancos ou sofás. Achava que assim ficava mais confortável. Tontices antigas.
- Eles são todos bestiais, mas quando colocas aquelas duas e roupa no mesmo saco, é melhor fugires – dizia rindo.
- Pois é. Nós já estamos habituados, porque roupa é normalmente o seu tema de conversa preferido – comentou Erik sentando-se a seu lado. Sem reclamar ou perguntar o porquê dela preferir o chão.
- Pelos vistos vou mesmo ter de me habituar a esse tipo de troca de palavras, mesmo que não o aprecie de todo.
Permaneceram ali durante um bocado, observando os pássaros que pousavam nos chafarizes de pedra, que haviam no pátio. Vendo-os beberem água, molharem-se e depois voltarem a voar livremente para as árvores. Começaram a ver uns quantos pássaros bebés a tentarem levantar voo, batendo as asas algumas vezes, levantando-se lentamente do ramo e seguindo juntos com a mãe. Contudo o ultimo não conseguiu, ficou no ramo observando os outros que, ao contrário dele, haviam ganho coragem para voarem.
- Tu consegues pequenino – murmurou Shara baixinho, como se falasse para alguém muito próximo.
Erik observou-a com uns olhos carinhosos, vendo-a olhar entusiasmadamente para o pequeno pássaro no ramo. “Não mudas-te nada” pensava.
Shara continuou a olhar para o animal indefeso e duvidoso no ramo, até que, muito repentinamente abriu muito os lhos e correndo para debaixo do ramo, abrindo as mãos em forma de concha.
O pássaro abriu as asas tentando voar, mas acabou por cair do ramo em direcção ao solo, aterrando nas mãos de Shara, como se esta soubesse precisamente o que iria acontecer.
- Como sabias que ele ia cair? – perguntava Erik, aproximando-se dela.
-ah… Pois… Não sei. Às vezes tenho estes pressentimentos, e ainda bem que o tive - observou o pequeno pássaro imóvel nas suas mãos. – Estás bem pequenino? – perguntou ao pequeno animal, que não se manifestou.
Erik olhou para o pássaro e depois voltou a olhar para Shara vendo-a, sentindo-a a ficar preocupada, enquanto virava o pássaro, para ver se este não se tinha magoado.
- Deixa-me ver – disse colocando as suas mãos por cima das dela, e fazendo festas ao pequeno animal. – Ele está bem! Só está um pouco assustado com o que aconteceu.
- Oh, mas não precisas de ficar pequenino, já passou. Não fiques assustado, está bem – dizia sorrindo para o pássaro que aos poucos parecia ganhar vida.
O animal começou a mexer-se, abrindo as asas, batendo-as e, aos poucos foi-se elevando, juntando-se aos seus irmãos.
Erik manteve as suas mãos por cima das dela durante um bocado, olhando-a com ternura, enquanto esta observava os pássaros desaparecerem por entre as folhas das árvores.

Quando chegaram ao dormitório, já os outros haviam chegado, com caixas de roupa, que as raparigas iam mostrando às outras e livros que Michel lia, enquanto Hiro, de orelhas viradas para o lado, ouvia a história através dos pensamentos do amigo.
- Shara! – gritava Jack com alegria – Toma, isto é para ti – disse entregando uma barra de chocolate branco. – O Hiro disse que era o teu preferido.
- Mas eu não pensei em chocolate, como é que ele sabia que era o meu preferido?
- Ele disse que foi o que o Erik pensou, quando te disse que trazia um chocolate também para ti.
- Como sabias Erik?
- Foi porque… sabes… aha….
- Não te engasgues rapaz – dizia Hiro rindo.
- Não está a colaborar – repreendeu-o, erguendo as orelhas em sinal de chateado.
- Não precisas de ficar assim bastas dizer que já a c…
- Que sabes de alguns dos seus gostos, pois vinha na ficha que te entregaram sobre ela. E querias que ela se sentisse melhor com algo doce de que gostavas. – disse Michel interrompendo o que Hiro estava a dizer com uma cotovelada.
- A serio, tão querido. Muito obrigada aos dois – disse com um sorriso, e bocejando com sono depois.
- Porque não te vais deitar um pouco, este dia foi um pouco cansativo para ti, e não conseguis-te descansar nada de jeito ontem.
- Sim, acho que vou aceitar a sugestão, e vou-me deitar um pouco. Até já malta – disse encaminhando-se para o seu quarto, e deitando-se por cima da cama, adormecendo rapidamente.
Antes da sua mente se render completamente ao cansaço, sentiu qualquer coisa saltar para cima da cama e algo leve a passar-lhe por cima do corpo e depois, nada.

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